GNR ataca tráfico no Vale do Ave

Grande operação levada a cabo ontem termina com 12 detenções e apreensão de droga que daria para 5000 doses.
NUNO SILVA E ALEXANDRA LOPES
foto: Sérgio Freitas/JN

A GNR deteve 12 indivíduos, ontem, terça-feira, numa megaoperação contra o tráfico de droga na região do Vale do Ave. Foram feitas 28 buscas e apreendidas heroína e cocaína suficiente confeccionar cerca de cinco mil doses.

A intervenção, que culminou ontem mas avançou no sábado, esteve a cargo do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR de Santo Tirso e envolveu um total de 115 militares. Foram visados indivíduos das zonas de Santo Tirso, Famalicão, Guimarães e Porto (dois deles), suspeitos de fornecimento de droga para venda directa.

Segundo o JN apurou, o tráfico estaria na origem de uma vaga de furtos em residências, sobretudo nas zonas de Vila das Aves e S. Martinho do Campo. A operação começou no sábado, com a intercepção de um suspeito que tinha ido buscar droga a uma mata que servia de esconderijo do produto, em S. Martinho do Campo. Durante o fim-de-semana, foram intensificadas as vigilâncias aos outros implicados e, ontem, ocorreram as buscas.

Foram apreendidas heroína para 3580 doses e cocaína para 1368 e algum haxixe, uma pistola de calibre 6,35 mm, 12 viaturas e cerca de 20 mil euros em dinheiro. Dos 12 detidos, nove serão hoje presentes ao Tribunal de Santo Tirso e os restantes foram notificados para ali comparecer.

O centro de Delães, em Famalicão, foi, durante a tarde, um dos pontos onde a intervenção da GNR teve mais expressão. A realização de buscas num café despertou a atenção de vários populares. "Os guardas mandaram encostar toda a gente à parede", narrou, ao JN, uma testemunha, que estava no café, onde cerca de 30 pessoas terão sido revistadas. "Pediram-nos a identificação e viemos embora. Outros ficaram lá", relatou. Com os militares armados a formar um cordão de segurança, os curiosos foram-se aglomerando. "Saíram aí uns quatro algemados", atirava um morador, referindo a existência de buscas simultâneas noutros locais do concelho famalicense. A GNR também esteve numa habitação que, segundo os vizinhos, seria do proprietário do café.